quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Violência urbana no Brasil: um conceito particular



Derivada do latim violentia, a palavra violência denomina-se por qualquer comportamento ou conjunto que deriva aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa ou ente.
Mas a origem da nossa violência, aquela que nos impressiona nas manchetes “sangrentas” da imprensa brasileira, parece não ter explicação. Algo muito particular, incomparável com qualquer canto do mundo.



Sua origem: na miséria? no desemprego? na desigualdade social? A nossa violência é um fato muito particular.

Do Rio de Janeiro o espetáculo ganha as páginas dos jornais. A nova é que uma ação da Polícia Civil realizada nas favelas da Coreia, Taquaral, Rebu e Vila Aliança, nos bairros de Senador Camará e Bangu, na zona oeste da cidade, cumpre mandados de prisão contra traficantes de drogas. Por causa da operação, três escolas municipais e quatro creches suspenderam as aulas. Para garantir a segurança das crianças, os pais não mandaram os filhos para os colégios.


E a contagem dos mortos só aumenta: ontem uma moradora da zona oeste do Rio foi atingida por uma bala perdida nas operações e permanece internada. Dez pessoas morreram nas incursões - entre elas um garoto de 16 anos e outro de 15. Em um ano e meio, 32 pessoas foram mortas durante operações policiais na mesma região.


Balas perdidas, assassinatos, policiais invadem favela em operação... A sensação é que o brasileiro parece estar de acostumando com a nossa guerra, um conflito que parece não ter fim, que mata mais do que os conflitos do oriente médio, e que já faz parte da rotina de muitos brasileiros.




Lá na Dinamarca...

Enquanto isso, bem distante de nós, uma realidade também muito longe da nossa realidade. É difícil de acreditar, mas lá na Dinamarca, a manchete do jornal e do site Ekstra Bladet destaca algo que, no Brasil, seria até irônico para os mais bem-humorados. Lá, um roubo a casa de duas famílias, no interior do país, foi a manchete do dia. Eles que não imaginam o que é violência por aqui....



Na sua opinião: Quais as raízes da violência do nosso país?

9 comentários:

  1. Olá

    Que triste realidade, mas a única forma de obter a tão sonhada PAZ, é com a educação.
    Professores bem remunerados, pais bem preparados para exercer a paternidade em todos sentidos.
    Com a mobilização de cada cidadão um novo mundo de AMOR, se forma.

    Salam
    Nina

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  2. E aí, Fernando, bom dia.

    Todo tipo de violência tem de ser condenado.. seja no Brasil, Dinamarca ou onde for.
    O que não podemos é perder nossa capacidade de indignação.
    Devemos questionar sempre o que nos ensinam em escolas de comunicação: a notícia não pode continuar tendo mais ou menos importância dependendo de onde acontece e a quem atinge.
    A morte de um brasileiro, um indiano, por exemplo, tem de ter o mesmo valor para a imprensa que a morte de um americano ou um europeu... temos de começar a tratar o assunto com a morte de seres humanos.
    É preciso rever os conceitos do tratamento que a imprensa dá aos fatos, à realidade. Mas, antes disso, temos de rever nossos próprios conceitos.

    Abraço grande.

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  3. Sempre a falta de educação e cultura.
    Mas isso falta a tanto tempo que para mudar um pouquinho só a situação levaria anos....
    Infelizmente somos um país pobre. Pobre de educação, cultura, amor, familia, fraternidade.
    Esses são fatores primordiais!

    Bjs

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  4. Fernando, acho que de fato nos acostumamos com essa violência toda. Infelizmente existem pessoas que não dão o mínimo valor à vida alheia.
    As entidades Família, amor e solidariedes já não existem mais para estas pessoas. Eu escrevi um artigo no meu blog sobre o "Desaparecimento da Gentileza!". E é justamente isso! As pessoas não se preocupam em fazer o bem. É muito cômodo um morador de uma favela pagar 30,00 para ter TV a cabo e Internet em casa. É cômodo pagar 10,00 pela "segurança" imposta por traficantes. Mas, porque ele não faz uma denuncia anônima sobre esses tipos de coisa? Porque pra ele é cômodo viver assim! Quantos artistas dizem não não às drogas na televisão e no entanto, são os maiores consumidores! Acho que todos deveriam fazer a sua parte denunciando sim qualquer irregularidade que venha a conhecer. Um dia, o sinal na NET em meu apartamento ficou ruim e percebi que meu vizinho (uma pessoa muito legal) tinha feito um gato. Liguri pra NET e mandei um email para ouvidoria. Em dois dias a NET teve no meu prédio e fizeram um rastramento no prédio todo e descobriram outros gatos. Moral da história: Ninguém mais fez gato no prédio.
    Acho que já escrevi demais...rs
    Abraços,
    Amilton.

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  5. As opiniões acima vão de encontro ao que a maioria acredita, assim como eu. Não é propaganda enganosa dizer que a base para se remediar ou reduzir problemas assim, seja a Educação.

    Mas educação no sentido geral e não só escolar. Um grande erro que muitas pessoas cometem é achar que a escola é uma linha de produção, onde os pais colocam seus filhos na entrada e quando saem, já estão prontas para a vida. Ela deve vir de casa, da escola e da vivência de cada um, afinal, aprendemos muitas coisas fora destes dois meios também.

    A mídia comete acertos e erros, como todos nós. Desta forma, não adianta só ficarmos no "a culpa é dele, ou a culpa é dela...", procure não fazer o mesmo que a contribuição já será de grande valor.

    Um abraço.
    Marcelo.

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  6. Penso que é uma somatória de diversos aspectos. Há o lado genético nisso, há o comportamento aprendido na família ou como reação a uma problema na criação (fatores psicológicos pra falar de uma forma mais abrangente). Mas acima de tudo é algo social, porque o homem é um ser social.

    A sociedade produz seus "monstros". E não dá pra dizer "foi sem querer querendo".

    É um bom tema a se pensar. E que coisa né, quem dera nosso país chegasse a esse ponto da Dinamarca.

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  7. Fala Fernando, parabéns pelo blog, muito bom!!!
    Pra mim a violência urbana como a do RJ, é gerada pela falta de expectativa de vida da população de classe mais baixa.
    É difícil ter exemplos tão próximos de pessoas "ganhando" dinheiro com o crime enquanto você vê a sua família que trabalha honestamente, mal tendo dinheiro para comprar comida e não pensar em ser um criminoso. A maioria não cai nessa, mas alguns viram criminosos. Fora o bom exemplo que os nossos politicos dão de fazer qualquer falcatrua e nunca serem punidos.
    Abs!

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  8. Agora, falando sério, as razões são muitas.
    Uma delas é a impunidade, outra delas é a desigualdade social. Não há preocupação em punir os crimes, a não ser quando o que está em jogo é a figura de uma pessoa importante.E num Estado semi-falido como o nosso, onde apenas parte da população sabe o que é educação de qualidade e recebe das autoridades o cuidado que elas deveriam dar, é normal que uma das saídas para os mais desesperados seja agravar ainda mais a miséria geral com atos no mínimo chocantes, e o revide das forças policias é apenas reflexo, apenas uma das muitas respostas possíveis, embora não necessariamente a melhor.
    Porém, é importante ressaltar o papel da cultura nesse contexto da delinquência. Na Índia, por exemplo, onde o sistema de castas é uma realidade cruel, é muito difícil ver violência nas imensas favelas de suas grandes cidades. É que o hinduísmo, religião predominante no país, se baseia numa quase total renúncia à resistência ao destino. assim, a pessoa é incentivada por todos a ceitá-lo resignadamente e de boca calada. Violência na Índia existe é claro, mas é mais comum quando se trata de algo como matar a mulher porque o pai não pagou ao seu marido o dote estipulado, já que a cultura de lá é extremamente machista.
    Diferente do Brasil, notícias desse tipo nem aparecem nos jornais.

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