
Sempre em busca de boas histórias, o CIRCO DA NOTÍCIA lança a coluna ENTREVISTA. E quem passou por aqui para nos visitar é Luis Nachbin, o ex-repórter de esportes da TV Globo, que deixou sua carreira de sucesso para embarcar rumo ao desconhecido.
Sempre em companhia de sua câmera, ele completa 5 anos a bordo do “Passagem Para”, seu programa no Canal Futura.
Com a atração, ele já visitou mais de 50 países fora das grandes rotas do turismo internacional. São mais de mil horas de imagens gravadas com registros do Sri Lanka, o inexplorado da China, Laos, Mongólia, Tailândia, Camboja e Ilhas Faroe e outros
Nachbin nos conta suas aventuras, um jornalista sempre a procura de algo surpreendente pelo mundo.
CN -
Quando e porque decidiu mudar de vida, deixando o posto de um repórter esportivo de sucesso para embarcar numa experiência cheia de surpresas pelo mundo?
A decisão de sair começou em dezembro de 1996, quando fui visitar a TV New York One, em Nova Iorque. Ali fiquei conhecendo o videojornalismo como modo de produção. Vi que era plenamente possível o domínio das ferramentas de captação audiovisual por uma única pessoa. E eu andava sentindo muita falta de trabalhar com imagem. Não queria ser um profissional apenas de texto. Ali ganhei confiança para ser um viajante do audiovisual.
CN - Como tem sido sua vida de jornalista após estrear o “Passagem Para”?
Ótima e muito cansativa (risos). O Passagem Para é um projeto que eu adoro, mas que dá um trabalho danado. Quando termina a temporada de produção, eu estou sempre exausto. Em poucas semanas, porém, já estou sentindo saudade e louco para gerar novos programas. Têm sido uma fase muito feliz da minha vida profissional. O meu trabalho é um olhar. E, a partir daí, muitas marcas, positivas e negativas, podem ser percebidas.
CN - Quantos países já visitou? 
Já gravei em 52 países – a India foi o primeiro, o Uruguai foi o mais recente. Se eu não estiver enganado, os países em que estive, mas não gravei, são: Inglaterra, Bélgica, Espanha, França, Alemanha, Coréia do Sul e Cuba. Devo gravar em Cuba em breve, para completar o projeto “Passagem para América Latina”.
CN - E os lugares mais exóticos?
São muitos, são muitos... Mongólia talvez seja o de cultura mais distante da nossa, por ser um país em que boa parte da população é nômade.
CN - E a viagem preferida?
India, sempre. Também tive dias maravilhosos na guiana (ex-inglesa), na Colômbia, no Camboja, na Mongólia, no Irã e no Sri Lanka. São os que me ocorrem imediatamente; talvez esteja me esquecendo de alguns.
CN - O que mais o impressionou durante as viagens? Pode nos contar algum caso interessante?
Difícil de responder, porque sempre surgem casos fortes. O funeral festivo na Guiana, que é mostrado em um episódio do Passagem Para, é o primeiro que me vem à cabeça. A celebração pela libertação da alma de uma pessoa é uma lembrança que não me sai da cabeça. Eu estive na Guiana no fim de 2007.
CN - Como é estar somente em companhia de uma câmera? Há momentos de solidão ou ficar sozinho tem suas vantagens?
As duas coisas: sofrimento e benefícios. Sofro com a distância da minha mulher, da minha filha, do cotidiano de trabalho, dos amigos; em contrapartida, ganho tempo para refletir, para ponderar, para percepções através de perspectivas novas. A solidão também me interessa, e muito.
CN - Antes de tudo, é preciso ter ousadia e coragem para encarar o desconhecido?
Sempre. Seja no Camboja ou na esquina do bairro.
CN - Há algum critério na hora de escolher o destino?
Em geral, o que nos move é o potencial das pautas que a equipe do Passagem Para descobre. Se aparecem boas histórias, o destino passa a interessar imediatamente. Mas, o ponto de partida pode ser meramente a minha curiosidade por um país.
CN - Como é o roteiro de trabalho assim que chega no lugar de destino?
Acordar, fazer contatos, sair pela rua gravando planos gerais, gravar entrevistas, voltar pra rua, fazer novos contatos, me deixar levar pelas histórias que surgem ao acaso, parar num café para ler mais sobre o lugar... não há um roteiro ortodoxo nas minhas viagens. Os dias de trabalho são muito diferentes.
CN - E as dificuldades que enfrenta, são muitas? Pode contar um caso que nunca se esquecerá?
Quando fiquei doente, em La Paz, achei que não teria forças sequer para pegar o avião de volta. Foram dias muito difíceis. Aqui no Brasil ainda fiquei um mês em recuperação, muito debilitado. E nunca soube o que foi que peguei.
CN - Já li que não fica em hotel 5 estrelas, ou seja, mordomia nem pensar. Como são os locais onde costuma se hospedar?
Pousadas, pensões simples e amistosas. Este, por sinal, é um dos maiores prazeres que as viagens têm me proporcionado. Conheço muita gente legal nesses lugares – em geral, são pessoas simples (que cuidam da pousada) e viajantes com cabeça boa.
CN - E o próximo destino?
Cuba! Espero estar com tudo pronto para ir em breve.
Fernando Leroy - editor


























