sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

::ENTREVISTA - Vida de repórter com Luis Nachbin


"O meu trabalho é um olhar"

Sempre em busca de boas histórias, o CIRCO DA NOTÍCIA lança a coluna ENTREVISTA. E quem passou por aqui para nos visitar é Luis Nachbin, o ex-repórter de esportes da TV Globo, que deixou sua carreira de sucesso para embarcar rumo ao desconhecido.

Sempre em companhia de sua câmera, ele completa 5 anos a bordo do “Passagem Para”, seu programa no Canal Futura.

Com a atração, ele já visitou mais de 50 países fora das grandes rotas do turismo internacional. São mais de mil horas de imagens gravadas com registros do Sri Lanka, o inexplorado da China, Laos, Mongólia, Tailândia, Camboja e Ilhas Faroe e outros

Nachbin nos conta suas aventuras, um jornalista sempre a procura de algo surpreendente pelo mundo.

CN - Quando e porque decidiu mudar de vida, deixando o posto de um repórter esportivo de sucesso para embarcar numa experiência cheia de surpresas pelo mundo?
A decisão de sair começou em dezembro de 1996, quando fui visitar a TV New York One, em Nova Iorque. Ali fiquei conhecendo o videojornalismo como modo de produção. Vi que era plenamente possível o domínio das ferramentas de captação audiovisual por uma única pessoa. E eu andava sentindo muita falta de trabalhar com imagem. Não queria ser um profissional apenas de texto. Ali ganhei confiança para ser um viajante do audiovisual.

CN - Como tem sido sua vida de jornalista após estrear o “Passagem Para”?
Ótima e muito cansativa (risos). O Passagem Para é um projeto que eu adoro, mas que dá um trabalho danado. Quando termina a temporada de produção, eu estou sempre exausto. Em poucas semanas, porém, já estou sentindo saudade e louco para gerar novos programas. Têm sido uma fase muito feliz da minha vida profissional. O meu trabalho é um olhar. E, a partir daí, muitas marcas, positivas e negativas, podem ser percebidas.

CN - Quantos países já visitou?
Já gravei em 52 países – a India foi o primeiro, o Uruguai foi o mais recente. Se eu não estiver enganado, os países em que estive, mas não gravei, são: Inglaterra, Bélgica, Espanha, França, Alemanha, Coréia do Sul e Cuba. Devo gravar em Cuba em breve, para completar o projeto “Passagem para América Latina”.

CN - E os lugares mais exóticos?
São muitos, são muitos... Mongólia talvez seja o de cultura mais distante da nossa, por ser um país em que boa parte da população é nômade.

CN - E a viagem preferida?
India, sempre. Também tive dias maravilhosos na guiana (ex-inglesa), na Colômbia, no Camboja, na Mongólia, no Irã e no Sri Lanka. São os que me ocorrem imediatamente; talvez esteja me esquecendo de alguns.

CN - O que mais o impressionou durante as viagens? Pode nos contar algum caso interessante?
Difícil de responder, porque sempre surgem casos fortes. O funeral festivo na Guiana, que é mostrado em um episódio do Passagem Para, é o primeiro que me vem à cabeça. A celebração pela libertação da alma de uma pessoa é uma lembrança que não me sai da cabeça. Eu estive na Guiana no fim de 2007.

CN - Como é estar somente em companhia de uma câmera? Há momentos de solidão ou ficar sozinho tem suas vantagens?
As duas coisas: sofrimento e benefícios. Sofro com a distância da minha mulher, da minha filha, do cotidiano de trabalho, dos amigos; em contrapartida, ganho tempo para refletir, para ponderar, para percepções através de perspectivas novas. A solidão também me interessa, e muito.

CN - Antes de tudo, é preciso ter ousadia e coragem para encarar o desconhecido?
Sempre. Seja no Camboja ou na esquina do bairro.

CN - Há algum critério na hora de escolher o destino?
Em geral, o que nos move é o potencial das pautas que a equipe do Passagem Para descobre. Se aparecem boas histórias, o destino passa a interessar imediatamente. Mas, o ponto de partida pode ser meramente a minha curiosidade por um país.

CN - Como é o roteiro de trabalho assim que chega no lugar de destino?
Acordar, fazer contatos, sair pela rua gravando planos gerais, gravar entrevistas, voltar pra rua, fazer novos contatos, me deixar levar pelas histórias que surgem ao acaso, parar num café para ler mais sobre o lugar... não há um roteiro ortodoxo nas minhas viagens. Os dias de trabalho são muito diferentes.

CN - E as dificuldades que enfrenta, são muitas? Pode contar um caso que nunca se esquecerá?
Quando fiquei doente, em La Paz, achei que não teria forças sequer para pegar o avião de volta. Foram dias muito difíceis. Aqui no Brasil ainda fiquei um mês em recuperação, muito debilitado. E nunca soube o que foi que peguei.

CN - Já li que não fica em hotel 5 estrelas, ou seja, mordomia nem pensar. Como são os locais onde costuma se hospedar?
Pousadas, pensões simples e amistosas. Este, por sinal, é um dos maiores prazeres que as viagens têm me proporcionado. Conheço muita gente legal nesses lugares – em geral, são pessoas simples (que cuidam da pousada) e viajantes com cabeça boa.

CN - E o próximo destino?
Cuba! Espero estar com tudo pronto para ir em breve.

Fernando Leroy - editor

18 comentários:

  1. Aconteceu o iDjay-C Video Awards!
    Foi móó legal!

    Acesse: http://idjay-c.blogspot.com
    Acompanhe o Blog e Comente!

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  2. Oi, Fernando!

    Muito interessante o trabalho dele. Apesar de ainda não ter assistido ao programa, imagino que ele deve explorar o contexto do documentário que mistura elementos do jornalismo.

    São essas aventuras pela chamada grande reportagem no jornalismo que nos encanta e nos mostra que o Jornalismo precisa e deve ter um novo fôlego. Sensacional a entrevista, parabéns.

    Abraço

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  3. Já assisti ao programa, recomendo e assino embaixo!

    Ele faz essa história de jornalismo parecer fácil.

    É bem legal conhecer esse outro lado de vocês e não ficar só com a imagem do jornalista "tradicional". É bom ver que são gente feito a gente. :D

    Parabéns pela entrevista e um abraço!

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  4. Não conheço o programa, mas adorei a entrevista e o entrevistado. É sempre interessante ver pessoas que "fogem" do comum, que buscam o novo - que é sempre mais difícil... - e que vão superando as dificuldades e construindo algo bonito. A sensação que dá é que é mais prazer do que "trabalho", esforço... =)
    Parabéns pela entrevista.

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  5. Olá Fernando, a paz de Deus entre nos! Estou visitando, parabéns por tão maravilhoso trabalho. Seu Post está magnífico gostei. Excelente. Votos de muito sucesso e muita proteção. Encontraremos-nos sempre por aqui. Estou esperando sua visita. Quero desejar um ótimo final de semana para você, amigos e familiares. Fique com Deus, muito brilho. Forte abraço.
    Valdemir Reis

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  6. Excelente.
    Quase um 'Sem Destino' da vida!
    Mas realmente deve ser pedreira percorrer o desconhecido longe de todos. A correria, o stress, o receio em alguns casos devem ser de matar, mas ao final de tudo o resultado vale cada percalço!

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  7. Indiquei você para receber o selo laranja! =D
    Pegue ele no meu blog :P

    http://dayofsorrow.blogspot.com

    Até Mais.

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  8. Prezados! Tenho acompanhado seu BLOG, está de parabéns. Te indiquei para receber o Selo de "Blog nota 10". No meu blog encontram-se as orientações segue url:
    http://hotelariamaritima.blogspot.com/
    Abraços.

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  9. Parabéns pelo trabalho Fernando!
    Além de nos trazer informação, divulga o trabalho de outras pessoas. Não conhecia o trabalho dele e fiquei curiosa.

    Abraços
    ***Obrigada pela visita e pelo comentário, fiquei feliz que tenha gostado do texto, este é um dos meus preferidos. Estava ouvindo uma música que falava de arrependimento e decidi falar do perdão!
    Passei sábado por aqui, mas não consegui deixar comentário. Hoje deu certo.

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  10. Olá!!!
    Vim retribuir a visita e conhecer seu blog!!! Adorei vir aqui!!! Pois nesta visita encontrei mais um blog recheado de coisas legais e inteligentes.

    Bjos

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  11. Gostei!

    Está adicionado ao meu Reader.

    Abraço!

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  12. nossa! adorei a entrevista com ele! é exatemente esse o trabalho que eu quero ter um dia...ah, meu sonho é ir viajando e viajando e viajando e quando parar pra pensar um pouquinho já estar do outro lado do mundo. ahah
    mas é mais ou menos assim...no momento queria fazer isso...ir lá pro oriente médio com minha câmera, um caderno e uma caneta pra registar tu-di-nho. =]
    um dia, um dia...BREVE!
    beijos

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  13. pára tudo! li na wikipedia que ele dá aula na PUC-Rio! será que vou ter aula com ele?
    eeeeeeeê
    (isso se eu sobreviver! duas faculdades...puc e ufrj...amém)

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  14. NOOOOOOOSa!!!!
    Eu pensei que eu era a única pessoa do mundo que asssitia o Passagem Para...
    Adorei a entrevista.
    Sabe, tem uma frase do Cartier-Bresson que é:"O instante é a eternidade".
    Tudo a ver com a fotoghrafia e com a própria vida...
    Continues assim, Fernando!
    Muito Bom.
    Salam aleikom.

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  15. gostei muito do trabalho
    mesmo interessante
    beijinhos

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  16. Olá, Fernando! Descobri seu blog pq estava procurando informações sobre o Luis Nachbin e encontrei uma bela entrevista aqui. O programa dele é ótimo, é tão bom q acho curto demais. Me identifico muito com ele, faço minhas viagens assim como ele faz o programa, procurando o inusitado. Quando vi pela primeira vez o programa, me lembrei das minhas viagens pela america latina, sem destino, sem datas, mas com muita vontade de conhecer a população, os costumes e não os pontos turísticos.
    Parabéns pela entrevista.

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